No início deste século, líamos todas as previsões de como seria a tal da convergência da comunicação. Na grande maioria delas era fascinante imaginar como a informação nos chegaria fácil, amigável e em qualquer lugar. O tempo passou, nós já vivemos essa tal convergência, e poucas pessoas reconhecem o seu mérito . Insisto que não podemos negar que já estamos nela, claro que não estou falando daquelas cenas de Missão Impossível onde a imagem se projetava e o Tom Cruise clicava no ar como touch screen. Mas ela está no ar pelo Wi-Fi , portátil com o iPod ou muito interativa como o Wii e Playstation.
Mas reconhecemos que a melhor forma de entender é assistir. E assistir, se não for ao vivo, tem que ser por um filme. É fato e não se discute.
O grande pipeline da convergência é a distribuição. Com a alta velocidade, não importando o meio, entendemos facilmente que filmes com uma ampla distribuição são uma grande arma de criação em massa. Antes a indústria cinematográfica caminhava numa velocidade compatível a do ser humano. Dava tempo de inventar, ensinar e aplicar. Aí veio a tecnologia que acelerou tudo e embaralhou todo o processo. Acho muito importante citar isso porque sempre ignoramos a nossa capacidade de aplicação, somente exaltamos a de invenção.
Com a torneira de dados aberta (mas nem toda ainda) estamos na era digital onde produzir e veicular profissionalmente é rápido e barato, respectivamente.
E justo neste momento onde todos deveriam ficar mais felizes, esquecemos que somos seres humanos e que ainda precisamos ensinar, aprender e finalmente aplicar.
Mas, antes de mais nada, precisamos compreender que a tecnologia nos deu o poder de propagar em massa nossas mensagens sem depender exclusivamente de poucos agenciadores, os bons e “velhos” veículos de comunicação. Se nós, pessoas ou marcas que, aliás, também não deixam de ser pessoas, temos a independência da emissão de mensagens, nós somos, por lógica, efetivamente emissoras. Assim, devemos pensar e criar como uma seguindo o que estes “antigos” agenciadores aprenderam e nos ensinaram.
Se uma marca é uma emissora de conteúdo e tem, por exemplo, um site na internet como um grande canal de massa, ela tem que agir claramente como uma. Ela tem o poder de trabalhar como antigamente, com grades de horário, e atualmente com filmes misturados com mais informações convergentes ou misturados num ambiente com textos, fotos e principalmente com informações variáveis vindo de bancos de dados que formam um novo sistema, a emissora da era digital.
TRANSFORMAÇÃO
Se por um lado temos as emissoras independentes, nós também temos uma indústria que vai ter que produzir em enorme escala todos estes conteúdos e principalmente milhares de filmes. Nesta fase, estamos todos aprendendo e aplicando todo o potencial no limite máximo da execução sem falhas. Antigos profissionais se reciclando como Diretores de Fotografia, aprendendo a usar os novos equipamentos digitais, agências produzindo quase curtas-metragens com roteiros não lineares, pós-produção em set de filmagens e novas profissões sendo criadas como Arquitetos de Informação e Analistas de Audiência. As antigas agências agenciando menos e produzindo mais. Tudo velozmente mudando para se adaptar à multiplicação das emissoras.
Para não ser tão conceitual, existem muitos exemplos desta transformação. Alguns dos exemplos mais simbólicos vêm do lado da indústria de broadcast como a feira NAB, a mais importante do mundo, tendo o meio digital e a internet com a maior quantidade de estandes e soluções em exposição. Os anunciantes aumentando drasticamente as suas verbas na produção de conteúdo e verbas para a internet. As produtoras de filmes abrindo suas divisões de “filmes”para a internet e finalmente as grandes holdings de comunicação já obtendo grandes fatias de receita e lucro dos chamados serviços de marketing e principalmente dos interativos digitais. E, por fim e até pouco tempo inimaginável, os próprios consumidores produzindo para fechar este ciclo.
Ainda bem que jornal tem limite porque minha esposa acabou de baixar o último episódio de Lost (terceira temporada) que passou na ABC americana há 1 hora atrás.
Artigo publicado no Meio e Mensagem Especial “internet” do dia 21/05/07.
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